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Enfermaria de Ansiedade e Depressão

INSTITUTO DE PSIQUIATRIA DO HOSPITAL DAS CLÍNICAS
FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO


Descrição das atividades realizadas na Enfermaria
de Ansiedade e Depressão (EAND)
                   
*    Dr. Odeilton Tadeu Soares – chefe de enfermaria e médico supervisor
*    Dr. Frederico Navas Demetrio – médico supervisor
*    Dr. Fabiano G. Nery – médico supervisor
*    Enf. Yara Tanganelli– enfermeira chefe
*    Psicologas: Fabiana Saffi Psicóloga chefe, Marilia Salgado, Karen Mattos Cruz,
*    Terapeuta ocupacional: Valmira Caldas Toledo
*    Drs. Ivan Apkamian e Ana Patricia Nascimento – médicos clínicos

1– INTRODUÇÃO

    A Enfermaria de Ansiedade e Depressão, destina-se ao atendimento em regime de internação de pacientes com Transtornos de Ansiedade e também com Transtornos de Humor, como o Tanstorno Bipolar e a Depressão. A divisão das enfermarias do IPq, que é segmentada por patologias, ocorre devido a especialização de seu corpo clínico, devido à vocação da instituição que é voltada à pesquisa e ao ensino. Assim, enfermeiros, assistente social, terapeuta ocupacional e psicólogos, dividem a assistência aos pacientes com os médicos residentes e assistentes.

    Essa vocação nos permite garantir ao paciente internado um atendimento de primeira classe,  caracterizado pela atenção multidisciplinar, com foco na reabilitação funcional do indivíduo, com completa recuperação de suas habilidades para o convívio social e retorno às suas atividades laborais.

    Nossa reunião de equipe realizada duas vezes na semana contempla discussões técnicas, com discussão dos aspectos diagnósticos e terapêuticos, de acordo com a visão de todos os profissionais da equi pe, valorizando assim a característica interdisciplinar na discussão. Isto nos permite uma visão global do problema enfrentado pelo paciente, que é consolidada com a abordagem simultânea por vários profissionais, que tem além da reunião de equipe outras participações em conjunto, como grupos e oficinas terapêuticas.

1.1 Descrição das atividades desenvolvidas pela equipe da EAND
1.1.1 Visitas


São realizadas visitas diárias aos 14 leitos, quando as necessidades dos pacientes são  são discutidas e distribuídas entre os membros da equipe (pe.: solicitação e/ou coleta de exames; realização de avaliação neuro-psicológica). Nessa visita coordenada pelos médicos assistentes da equipe, princípios básicos da boa prática psiquiátrica são  discutidos com realização do correto diagnóstico, através de repetidas avaliações, exames complementares de última geração, que possibilitam mudanças necessárias para a boa evolução dos casos, como aumento de doses, troca de medicamentos, realização de procedimentos terapêuticos como a eletroconvulsoterapia além de procedimentos realizados por outros membros da equipe como as avaliações de personalidade, que são realizadas pela equipe de psicólogos. Médicos clínicos do Instituto de Psiquiatria auxiliam a condução de comorbidades clínicas que são comuns em relação às patologias psiquiátricas.


1.1.2 Reuniões de Equipe

    Reuniões realizadas 2x na semana, com presença de toda a equipe, quando os pacientes tem suas histórias e diagnósticos discutidos em minúcias que permitem elaboração do “projeto terapêutico”, no qual são estabelecidas as estratégias para o tratamento de cada paciente internado. A participação de cada membro da equipe é estabelecida sendo que cada paciente passa a ter um médico residente responsável pela sua condução, supervisionado por um dos médicos assistentes da EAND. Do mesmo modo, cada paciente tem um psicólogo responsável, que passará a atendê-lo individualmente. Os demais membros da equipe também realizam atendimentos individuais quando necessário, além dos atendimentos em grupo que caracterizam a atividade da terapia ocupacional, e outros grupos realizados pela enfermagem (pe.: grupo de cuidados pessoais), pela assistente social ( grupo de habilidades sociais). Nessa reunião os pacientes são entrevistados, quando ficam estabelecidas condutas a serem tomadas em conjunto ou individualmente pela equipe.

1.1.3 Supervisão para residentes

    Atendendo à necessidade de ensino característica de nossa instituição, todos os casos conduzidos por médicos residentes são supervisionados por médicos assistentes, que no caso de nossa enfermaria, são especialistas em transtornos de humor. Nessas reuniões de supervisão cada caso clínico é discutido a fundo, com ênfase em aspectos psicopatológicos que caracterizam os diversos diagnósticos, além de aspectos em psicofarmacologia, que são importantes para a conduta médica, com a decisão sobre o uso de medicamentos com base em evidências disponíveis na literatura, com constante atualização, tendo em vista a característica dos assistentes de participarem como pesquisadores em grupos como o Gruda e Proman, que são grupos pioneiros no estudo dos transtornos de humor no Brasil. Outros aspectos que dizem respeito ao tratamento como abordagens psicoterápicas ou que dizem respeito à relação médico paciente também são discutidos nessas reuniões.

1.1.4 Seminários

    Seminários preparados pelos residentes ou outros membros da equipe são realizados semanalmente com o intuito de discussão de temas importantes relacionados ao trabalho desenvolvido na EAND. Todos os seminários são supervisionados pelos médicos assistentes da equipe. Nesses seminários são freqüentes a discussão de artigos recentes que trazem informações atualizadas e permitem auxiliar no processo de atualização cientifica necessário para manter o alto nível da assistência ao paciente internado, além de colaborar na formação de nossos médicos residentes.

1.1.5 Atividades desenvolvidas pela equipe de psicologia da EAND

Os Psicólogos realizam avaliação psicológica e neuropsicológica; atendimentos em grupo para pacientes que terão licença no fim de semana (grupo pré-licença); uma atividade de reabilitação focada nas habilidades sociais (grupo de habilidades sociais); atendimentos para analisar como foi o período de licença (pós-licença); atendimentos individuais, além de orientação familiar, quando necessário. Todas as informações relevantes para o tratamento do paciente são levadas para discussão com o restante da equipe.

1.1.5.1 Psicodiagnóstico - Avaliação Psicológica e Neuropsicológica:

O psicodiagnóstico está intimamente associado ao trabalho de avaliação psicológica realizado em situações de atendimento clínico. É uma atividade com inicio e fim previstos, que tem por finalidade realizar auxílio diagnóstico e encaminhamento específicos para processos terapêuticos. No psicodiagnóstico é realizado tanto uma avaliação psicológica como a neuropsicológica através do uso ou não de testes. Os testes são usados, pois são uma medida objetiva e padronizada de uma amostra de comportamento; são um modo mais rápido de chegar ao que deseja. Eles fornecem uma medida objetiva e regular, além de poderem ser replicáveis e assim pode-se fazer comparações fidedignas através deles.

As avaliações psicológicas e neuropsicológicas na Enfermaria de Ansiedade e Depressão são solicitadas pelo médico responsável pelo paciente sempre que há dúvidas relativas às características de personalidade, aos déficits cognitivos e também para auxílio diagnóstico.

O objetivo desse tipo de trabalho é comparar a amostra do comportamento do sujeito com os resultados de outros pertencentes a população geral ou grupos específicos, testar hipóteses tomando como referência critérios diagnósticos, realizar diagnóstico diferencial, promover um entendimento dinâmico do funcionamento da personalidade e fornecer prognóstico, determinando o curso provável do caso.

1.1.5.2 Grupos de pré-licença:

O trabalho em grupo nesta enfermaria é utilizado para se trabalhar déficits gerados no relacionamento interpessoal. As vantagens em se trabalhar com grupo são: maior possibilidade de observação das interações estabelecidas e dos comportamentos interpessoais; o grupo pode ser um espaço adequado para aprender a se relacionar; melhor relação custo-eficácia; permissão de que os elementos identifiquem problemas semelhantes aos seus pares; prevenção sobre situações por ouvi-las de outros; permissão de maior possibilidade de dar e receber feedback sobre a forma de relacionar-se; e possibilidade de surgirem no cenário mais soluções para os problemas apresentados .

    O grupo de pré-licença é realizado com pacientes que poderão passar o final de semana em casa e tem como objetivo discutir as expectativas que estão envoltas no retorno para casa, os medos, receios, desejos e planejamento de alguma atividade que, devido a sua patologia, não conseguia mais realizar, como, por exemplo, limpar o próprio quarto.

1.1.5.3 Atendimentos pós-licença:

Após o retorno do final de semana são realizados atendimentos individuais com o intuito de se analisar como foi o período de licença, quais expectativas se confirmaram, sentimentos mobilizados, pensamentos nesse período, receios e retorno para a unidade de internação.

1.1.5.4 Atendimentos individuais:

Durante o período de internação psiquiátrica o atendimento individual realizado é chamado de Aconselhamento Psicológico ou Apoio Psicológico. Esse tipo de atendimento é um trabalho educativo, focado nas possibilidades de crescimento psicológico do paciente. No Aconselhamento Psicológico trabalha-se apenas com o material consciente do paciente e parte sempre da sua capacidade e suas potencialidades para resolver os seus próprios conflitos. Constitui-se numa relação de ajuda, trabalhando aspectos superficiais e nunca estruturais do paciente, se caracterizando numa ajuda situacional, atuando sempre de modo focalizado, de caráter educativo, de apoio e de orientação. O aconselhamento geralmente tem curta duração e necessita de uma abordagem específica, pois isso garantirá uma orientação nas intervenções. Tem o intuito de resgatar a história do paciente, o que levou a internação, como ele percebe esse momento e começar a questionar qual o sentido que esses fatos têm, além do bem-estar através da solução, por ele próprio, de suas dificuldades.

1.1.5.5 Treino de habilidades sociais:

O treinamento de habilidades sociais fundamenta-se na relação entre o indivíduo e seu meio social, sendo de extrema valia uma vez que interações interpessoais são constantemente requeridas no convívio em sociedade.
As habilidades sociais merecem melhor atenção no indivíduo com transtorno bipolar que chega a uma internação psiquiátrica e deve retornar a sua vida após a estabilização dos sintomas. O retorno envolverá o enfrentamento das conseqüências dos episódios de depressão e mania que inevitavelmente interferiram em seu funcionamento em casa, no trabalho e nas relações sociais, podendo estar comprometidas a capacidade para solucionar problemas da vida diária.
A intervenção envolve todos os pacientes internados. Em cada semana, é abordado um tema pré-estabelecido, sendo possível o ingresso no grupo de novos pacientes recém-internados. Os grupos iniciam-se com a apresentação de uma série de TV (“A Grande Família”), a qual de uma forma cômica aborda conflitos familiares comuns. Acredita-se que desta forma, se acesse os pacientes de diferentes culturas e padrão cognitivo. A abordagem inicial traz em discussão o tema de comportamentos esperados em qualquer  relacionamento social, como o assertivo, não assertivo e agressivo. No decorrer dos encontros, também se torna possível trabalhar habilidades cognitivas, como a atenção, memória e reconstrução cognitiva.

O intuito é treinar em todas estas áreas, treinar diretamente o comportamento dos pacientes e proporcionar o treinamento em percepção social, estimulando-o a praticar as habilidades e os comportamentos ao longo de diferentes situações.

1.1.6 Atividades da Terapia Ocupacional na EAND
1.1.6.1 Avaliação Diagnóstica


     Procedimento para a formulação do projeto terapêutico. Composto por entrevista e observação da dinâmica do funcionamento sócio-ocupacional. Objetivo de rastrear a demanda de cada paciente, a organização de sua rotina na enfermaria e em casa, atividades abandonadas, possibilidades de projetos, relacionamento com demais pacientes e equipe.
 
1.1.6.2 Grupos


    Os grupos propostos pela T.O se estruturam da execução de atividades e tem como objetivos compreender aspectos psicodinâmicos da relação triádica (paciente-terapeuta-atividade); oferecer outra possibilidade de interação grupal, além da troca de experiências e vivências entre os integrantes do grupo, avaliar dificuldades pragmáticas e subjetivas do indivíduo, e coleta de dados que podem contribuir para a elucidação diagnóstica de cada caso. Através do processo de realização de atividades livres e indicadas os pacientes podem experimentar materiais, resgatar e descobrir habilidades, aprender e ensinar técnicas, fazer escolhas a partir de interesses e desejos, entre outros.    

1.1.6.3 Atendimentos Individuais

    Os atendimentos individuais são indicados para pacientes que necessitam de uma intervenção mais próxima do terapeuta, levando em conta que tais pacientes não conseguem relacionar-se em grupo ou quando só a abordagem grupal não se mostra suficiente.

1.2 Tratamento pós-alta


    Ao contrário do que se poderia pensar, o tratamento da equipe da EAND não termina na alta do paciente. A equipe continua a acompanhar muitos dos casos em nossos ambulatórios, mantendo contato com a equipe que vai acompanhar o paciente após a alta da enfermaria, fornecendo subsídios para manutenção da estabilidade alcançada durante o tratamento em regime de internação.

1.2.1 Encaminhamentos

    A constituição de redes de apoio clínico, terapêutico e social é importante no período pós-internação, pensando em estratégias e encaminhamentos que possam favorecer períodos de maior estabilidade nos quadros, prevenindo pioras e novas internações, garantindo espaços de cuidado terapêutico, circulação social e qualidade de vida. Assim, a equipe da EAND tenta através do seu serviço social, manter contato com outras equipes como as dos CAPS ou outros equipamentos de saúde mental, dentro e fora do município de São Paulo, com troca de informações necessárias para o melhor seguimento clínico e psicoterápico, com o qual o paciente vai poder manter a saúde física e mental, após a internação psiquiátrica.


Apresentacao_EAND.ppt