Home -> Hospital -> Unidades e Serviços Especializados -> Unidade de Videoeletroencefalografia

Unidade de Videoeletroencefalografia


1.            O que é videoeletroencefalograma?

            Exame neurofisiológico, em geral realizado em ambiente hospitalar pela necessidade de internação, prolongada ou não, sendo essa diretamente relacionada ao objetivo pelo qual o exame foi solicitado.

O videoeletroencefalograma (VEEG), consiste na colocação de eletrodos no couro cabelo, de uma maneira a cobrir todo o córtex cerebral, com intuito de captar a atividade elétrica cerebral, assim como realizado no eletroencefalograma de rotina. O diferencial é que o paciente será monitorado dia e noite, com registro em câmera de vídeo em circuito fechado, de maneira a acoplar a imagem do paciente ao traçado eletrográfico.

Durante o VEEG o paciente pode se locomover pelo quarto, ir ao banheiro e mesmo tomar banho, sem molhar os cabelos. Assim como, uso de celular, notebook, trabalhos manuais, leitura, etc.

O VEEG é um exame não invasivo, indolor e sem uso de agulhas. Porem algumas pessoas mais sensíveis podem apresentar alergia pelo uso do esparadrapo micropore em contato com a pele.

2.            Para que serve?

O VEEG permite uma avaliação mais detalhada das crises epilépticas ou de outra natureza apresentadas pelo paciente. Esse exame ajuda num melhor direcionamento, assim como na conduta terapêutica, cirúrgica ou medicamentosa mais adequada, sem esquecer os efeitos adversos proporcionados pelas medicações antiepilépticas, trazendo benefícios ao paciente, tanto do ponto de vista financeiro, assim como na qualidade de vida.

Outra vantagem do VEEG é a realização de estudos de neuroimagem funcional (SPECT e/ou PET) durante a crise, com a segurança de estar num ambiente hospitalar controlado, com equipe treinada e capacitada para lidar com crises.

3.            Quais suas indicações?

(i)            Investigação pré-cirúrgica;

(ii)           Semiologia de crises epilépticas;

(iii)          Crises não epilépticas psicogênicas;

(iv)          Eventos paroxísticos que mimetizam crises epilépticas;

(v)           Ajuste de medicação antiepiléptica ou mesmo suspensão;

(vi)          Quadros psiquiátricos que se assemelham a crises epilépticas;

(vii)         Estado de mal epiléptico;

(viii)        Investigação orgânica em quadros de delirium ou catatonia.

1.            Existem restrições para realização do exame?
            As restrições são em relação à colocação de eletrodos em couro cabelo, devido à lesões, ferimentos ou pediculose. Assim como pacientes extremamente agitados que não aceitam à colocação dos mesmos.

2.            Quais são os profissionais envolvidos?

         Para realização do VEEG é necessária uma multidisciplinar com expertise em epilepsia e condições associadas, composta de: a) neurofisiologista especialista em epilepsia; b) enfermeira; c) técnicos de enfermagem; também é necessário equipe complementar, composto por: a) neuropsicólogo; b) psiquiatra; c) terapeuta ocupacional; d) nutricionista; e) neurorradiologista; f) neurocirurgião e, g) assistente social.

3.            Quais as linhas de pesquisa da Unidade de VEEG do IPq?

(i)            Transtornos psiquiátricos associados à epilepsia;

(ii)           Crises não-epilépticas psicogênicas;

(iii)          Estudo neuropsicológico dos transtornos psiquiátricos associados à epilepsia;

(iv)          Biomarcadores autonômicos na epilepsia;

(v)           Farmacogenética nas epilepsias

1.            Equipe médica

Dra. Lia Arno Fiore
Dra. Maria Sigride Thomé de Souza
Dr. José Gallucci Neto
Dr. Renato Marchetti (coordenador do Projepsi)

Perguntas frequentes:

1.            Qual a definição de epilepsia e crise epiléptica?

A ILAE (International League Against Epilepsy) e o IBE (International Bureau for Epilepsy) definem epilepsia como uma condição neurológica que se caracteriza por predisposição contínua a gerar crises epilépticas com consequências neurobiológicas, cognitivas, psicológicas e sociais. A definição de epilepsia requer a recorrência de pelo menos uma crise epiléptica ou a possibilidade de recorrência. Desta forma, não se trata de uma condição patológica única, mas de uma variedade de síndromes que refletem disfunção cerebral de base resultante de diferentes causas (Fisher et al., 2005). A crise epiléptica, per se, é definida como a ocorrência transitória de sinais e/ou sintomas devido à atividade neuronal anormal síncrona e excessiva (Fisher et al., 2005).

Dentro deste contexto, há elementos que são importantes para a definição da epilepsia, sendo eles: a) modo de início e término das crises; b) manifestações clínicas e; c) alterações epileptiformes no eletrencefalograma (intensificação da sincronização anormal). Existem também elementos primordiais na definição, que são: a) história de pelo menos uma crise; b) alterações persistentes no cérebro que aumentam a probabilidade de futuras crises e; c) associação de transtornos neurobiológicos, cognitivos, psicológicas e sociais.
2.            Existem diferentes tipos de crises epilépticas?

Existem basicamente dois tipos de crises: (a) generalizadas, crises em que a atividade epileptiforme se espraia rapidamente para as redes neurais de ambos os hemisférios cerebrais; (b) focais, o início da atividade epileptiforme é localizada, ou seja, as crises envolvem a rede neural é limitada a um hemisfério. No entanto crises inicialmente focais podem apresentar uma generalização secundária.

3.            A epilepsia tem uma causa?

As causas de epilepsia são divididas em 3 grandes grupos:

3.1          Causas genéticas – a epilepsia é resultado direto de defeito(s) genético conhecido ou presumido, no qual as crises epilépticas são sintomas principais da desordem.

3.2          Causa estrutural/metabólica – quando existe lesão estrutural distinta ou condição metabólica que aumente substancialmente o risco de desenvolver crises.

3.3          Causa desconhecida – A natureza de causa de base ainda não é conhecida.

4.            A epilepsia é muito frequente?

Na população em geral, 1-2 % das pessoas serão portadoras de epilepsia em algum momento de suas vidas.  No estudo de Rochester - Minnesota (EUA), de 1935 a 1984 foi observada incidência de 44 casos por 100.000 ao ano, com maior incidência entre homens. Nesse estudo, foram observados dois picos distintos, no primeiro ano de vida e, um segundo ainda maior, nas pessoas com idade igual ou superior a 75 anos.  Sendo assim, a incidência de crises epilépticas é maior na infância e na adolescência quando comparada com aquela que ocorre na vida adulta.

    A predisposição à expressão clínica da epilepsia difere com a idade. Assim sendo, as crianças e adolescentes, principalmente no primeiro ano de vida, são mais vulneráveis, com decréscimo na vida adulta e incremento na terceira idade.

5.            A epilepsia tem cura?

Não se fala em cura, mas sim em controle satisfatório das crises com medicações antiepilépticas, o que é obtido em 70% das pessoas com epilepsia.

Porem dependendo de sua causa pode-se falar em cura: (a) em crises epilépticas secundárias a lesão cerebral em área de fácil resecção, sem prejuízo da linguagem ou na força motora. Nesses casos após um procedimento cirúrgico adequado a pessoa pode ficar livre da medicação antiepiléptica em 2 anos, ou obter redução considerável da quantidade das mesmas; (b) em crises de origem genética autolimitadas a uma certa faixa etária, como por exemplo, a crise ausência da infância, que ocorre na faixa pré-escolar, na sua grande maioria com boa evolução, sem prejuízo ao desenvolvimento neuro psico motor.

            Por outro lado, existem crises que não respondem as medicações antiepilépticas, são as chamadas epilepsias de difícil controle, em pacientes resistentes a medicação antiepilépticas ou naqueles que apresentam lesão cerebral que não pode ser removidas cirurgicamente, tanto pela sua localização, como pelo risco de prejuízo na linguagem ou na função motora da pessoa.

Equipe da Unidade de VEEG